Veja dicas para quem continua indo trabalhar e para quem faz home office em tempo de coronavírus

18 de março de 2020 · Clipping

Amanda Lemos | Folha de São Paulo

Superfícies de trabalho e objetos como telefones e teclados devem ser higienizados regularmente

Lavar as mãos com frequência, ter um álcool em gel na mesa e ficar pelo menos um metro de distância do colega de trabalho. Estas são algumas recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) que devem ser adotadas para quem segue indo trabalhar para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Declarado pandemia na quarta-feira (11) pela OMS, o coronavírus está impondo um novo ritmo e uma nova postura nas relações de trabalho. Seja para quem continua indo para o trabalho, seja para quem está fazendo home office, é necessário se adaptar a novos hábitos para manter a produtividade e conter o temor pelo coronavírus.

“Mudanças como evitar contato físico e reuniões não é uma coisa que vem do dia para noite”, diz Keitiline Viacava, neurocientista e especialista em empresas. Para Viacava, tanto a empresa quanto chefes e funcionários precisam de reforços que gerem mudança rápida dada a proliferação do vírus, mas como estamos acostumados ao relações atuais de trabalho, é normal o período de transição ser longo.

Cumprimentar pessoas com beijos ou aperto de mão, como diz a OMS, devem ser evitados, reforça a especialista. Para que a mensagem seja absorvida o mais rápido possível, os incentivos devem vir além de emails ou cartazes de conscientização espalhados no ambiente de trabalho. “Vai partir do líder e dos funcionários adotarem uma postura de cuidados que agora são tidos como a básico, mas que vão se propagar e tornar comuns”, diz.

O problema dessa postura, diz Viacava, é esbarrar na discriminação. É preciso levar a situação com leveza sem perder a consciência que é uma situação que exige cuidados, mas que um espirro ou uma tosse possa não ser que a pessoa está infectada pelo coronavírus.

“Temos que ter empatia um com os outros. A instrução é se conter e levar de modo descontraído, dando risada e conscientizando”, diz. Outro cuidado, alerta a especialista, é não cair na conversa na ‘ilusão de controle’, ou seja, acreditar que seja possível controlar situações que são regidas pelo acaso ou por forte controle externo, como o caso do perigo de contaminação pelo coronavírus. “É uma sensação de controle que não existe e que se dá de forma automática”, diz.

Como se comportar trabalhando de casa


Para quem está dispensado de ir até a empresa, o grande problema pode ser conciliar produtividade mesmo estando em casa. Para isso, a palavra-chave é comunicação efetiva, diz Nora Mirazon Machado, estrategista em branding e carreiras.

Para Machado, pessoas que sabem gerenciar o tempo e têm competências comportamentais bem desenvolvidas, como trabalhar em equipe e outras habilidades interpessoais, ganham importância neste momento. relacionamento do profissional com os outros criando um relação de confiança.

“Como o contato interpessoal via trabalho remoto é limitado, você não sabe como a pessoa está reagindo”, diz. Segundo a especialista, não devemos cair na cilada de ficar supondo o que o outro está pensando. Para isso, são fundamentais três pontos.

  • Inteligência emocional: é uma habilidade que ajuda na interação e a prestar mais atenção no outro, diz Machado. É ter empatia e respeitar quando um funcionário ou colega de trabalho com algum familiar infectado.
  • Comunicação efetiva: É trabalhar para que a mensagem que você está transmitindo chegue ao seu interlocutor, sendo necessário prestar mais atenção ao que outro diz. Aqui, o explicar pela metade é um risco: você não está frente a frente com a pessoa.
  • Escuta ativa: É prestar atenção ao que outro está dizendo e não ficar supondo o que o outro pensa, um trabalho de se dedicar ao ouvir.

O que diz a OMS

A cartilha da OMS divulgada em fevereiro lista uma série de diretrizes para evitar a propagação do novo coronavírus no ambiente de trabalho.

Superfícies de trabalho e objetos como telefones e teclados devem ser higienizados com desinfetante regularmente. De acordo com a organização, as empresas devem incentivar os trabalhadores a lavarem as mãos constantemente, garantindo que haja sabonete nos banheiros e álcool em gel no local.

Outro ponto que a organização lista é distribuir cartazes que incentivem os trabalhadores a higienizar as mãos.

A empresa deve garantir que máscaras e/ou lenços de papel estejam disponíveis em seus locais de trabalho, para aqueles que desenvolvam coriza ou tosse no trabalho.

Se o funcionário começar a apresentar leve febre, ele deve ficar em casa em isolamento. A OMS recomenda, também, que evite o contato e tenha afastamento de um metro entre as pessoas e os familiares.

Os funcionários que apresentarem algum sintoma do coronavírus devem ficar em casa, cabendo à empresa decidir se o trabalhador deve seguir em home office ou que fique em repouso.

Para quem retornou de viagem de um dos países que tenha casos registrados da pandemia, o ideal é ficar em casa por 14 dias e monitorar os sintomas.

O que diz o ministério da saúde

O Ministério da Saúde recomenda que, para áreas com transmissão comunitária, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, tenha redução de deslocamentos para o trabalho.

As reuniões, de preferência, devem ser realizadas virtualmente, e viagens não essenciais (avaliadas pela empresa) sejam adiadas ou canceladas.

Ainda segundo o ministério, o trabalhador deve fazer home office, e adotar horários alternativos para que não ocorra horários de pico no transporte público.

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