Guedes promete plano de emprego em até 40 dias

01 de Junho de 2020 · Clipping

Lu Aiko Otta, Mariana Ribeiro, Vandson Lima e Renan Truffi | Valor Econômico

Waldery volta a falar em prorrogação do auxílio emergencial, hoje de R$ 600

Geração de empregos e redução da pobreza passaram para o centro das atenções da equipe econômica. Numa videoconferência com empresários realizada ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu anunciar em 30 ou 40 dias um programa de geração de empregos. Numa audiência pública no Congresso, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, admitiu que o auxílio emergencial deve ser prorrogado, mas em outro formato, inspirado no Bolsa Família.

Guedes contou que o pagamento do auxílio emergencial trouxe ao conhecimento do governo 38 milhões de brasileiros que jamais haviam tido uma carteira de trabalho. Acha que poderiam ser o público para a Carteira Verde-Amarela, segundo relatou ao Valor o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. A informação foi confirmada por outro participante.

A Carteira Verde-Amarela é um contrato de trabalho não regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Benefícios como o 13º salário e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) podem ser incorporados ao pagamento mensal.

Na quarta-feira, o governo anunciou o fechamento recorde de 860,5 mil vagas formais em abril. Mas estimativas que circulam nos meios técnicos apontam para um cenário muito mais agudo: até 6 milhões de novos desempregados até agosto. É esperada também alta acentuado dos níveis de pobreza, daí a necessidade de um novo programa social.

“Auxílio emergencial muito provavelmente será renovado, mas com outro perfil, outro formato”, previu Waldery. Trata-se de um “programa caro”, de acordo com ele.

Segundo Waldery, o Bolsa Família será usado como referência para um redesenho do programa. Guedes já indicou que numa eventual prorrogação poderão ser pagos R$ 200 por um ou dois meses, mas o presidente Jair Bolsonaro avaliou que é pouco.

A retomada dependerá primordialmente dos investimentos do setor privado, disse Guedes aos empresários. O governo mantém seu compromisso com o teto de gastos, por isso não é possível elevar substancialmente os investimentos públicos. Ele pediu apoio para aprovar reformas econômicas em análise no Congresso, como o marco do saneamento.

Segundo Guedes, 8 milhões de empregos foram salvos pelo programa que permite às empresas suspender contratos de trabalho ou reduzir proporcionalmente jornada e salários. O sucesso desse mecanismo, comentou o ministro, fez com que a linha de financiamento para folha salarial lançada pelo governo, o Fopas, ficasse em segundo plano.

O Fopas será aperfeiçoado, com aumento da cobertura, informou o ministro, segundo um participante. Não citou números. Pelas regras atuais, o Tesouro oferece 85% do crédito e o banco, os outros 15%. No Congresso, há discussões para elevar a cobertura federal para 100%.

O governo reservou R$ 34 bilhões para o Fopas, mas a primeira parcela liberada, de R$ 17 bilhões, ainda não foi totalmente utilizada. É possível que a segunda parte nem seja necessária, disse ontem o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. Nesse caso, o dinheiro pode ser destinado a outro programa.

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