Durante pandemia, empresas fazem até happy hour e festa junina online

Uol

Impossibilitadas de reunir funcionários, empresas como Roche, BlaBlaCar e DSM Royal têm realizado festas da mesma maneira que trabalham: remotamente. Os aplicativos de webmeeting, muito utilizados para reuniões, também foram cooptados para estimular a socialização e a integração das equipes.

“Várias companhias estão encontrando formas criativas de comemorar: happy hour virtual, festa junina remota, truco online, aniversariantes do mês, sessões de saúde e bem estar coletivo virtual, entre outras opções”, relata Mayra Fragiacomo, consultora estratégica de comunicação e recursos humanos na Job Transition.

Segundo Renata Medeiros, diretora de RH da DSM, “esse foi o modo que encontramos para não deixar passar em branco a festa junina, que é uma tradição para nós”. A empresa aproveitou o novo formato para reforçar vínculos com colaboradores em outros 12 países. Os participantes enviaram vídeos com apresentações de músicas tradicionais e fotos trajando roupas típicas, para participar de um concurso interno.

Para a Veracel Celulose, o São João era inadiável. “Estamos localizados em Eunápolis, no sul da Bahia, e o mês de junho é tipicamente tomado pelas festividades, em todo o estado. Por isso, tínhamos que fazê-lo”, afirma Dienane Brandão, gerente de desenvolvimento humano e organizacional.

Bebendo (e jogando) na frente do computador

A Veracel também já organizou o Dia das Mães e Dia dos Pais, cafés da tarde e festa para os aniversariantes do mês. Além, claro de um happy hour que ocorre a cada 15 dias, às sextas feiras. “O objetivo é papear, jogar conversa fora, após o horário de expediente”, afirma Dienane. “Essa conexão sempre foi importante e se tornou mais ainda com a pandemia.”

Happy hours virtuais também estão na agenda da BlaBlaCar Brasil. “O aspecto que mais faz falta ao time com o home office é a interação social com os colegas”, diz Nara Farias, gerente de comunidade e relacionamento. A companhia também tem investido em promover interatividade por meio de outras atividades, como jogos. “Fizemos sessões online de ‘Imagem & Ação’ ou ‘Stop’; foi bem divertido”, relata Nara.

Um dos happy hours da Roche Farma Brasil foi animado pela Banda Roche, composta por funcionários. Outro serviu como pausa para reflexão: o tema foi a comunidade LGBT. “Os colaboradores puderam debater de maneira espontânea e colaborativa”, afirma Rodrigo Cezar, gerente de eventos e viagens da empresa.

A “invasão” acidental de webmeetings por cônjuges, filhos ou animais de estimação também inspirou um outro formato de confraternização na Roche.

“Fizemos um encontro chamado ‘Minha Família É Show’, em que convidamos os familiares dos colaboradores para apresentar seus talentos”, conta Cezar.

Você toparia uma festa virtual mesmo depois da pandemia?

Esse novo tipo de evento, porém, tem suas complexidades. “Interagir presencialmente é muito mais fácil e prazeroso do que virtualmente”, explica Mayra Fragiacomo, da Job Transition. “É preciso que o departamento de recursos humanos faça um esforço muito maior para conseguir integrar todas as pessoas que estão participando”.

Outro ponto a ser considerado é a infraestrutura disponível para os participantes. “Ouvimos muitos relatos de problemas relacionados à conexão da internet, que geralmente oscila muito”, afirma Fragiacomo.

Por outro lado, as comemorações virtuais exigem menos gastos com logística e infraestrutura, e podem até deixar de ser “excepcionalidade” e se tornar uma opção oficial. “Ainda vamos precisar de bastante tempo para retomada dos eventos com público. E, mesmo quando superada a pandemia, acredito que essas festas serão mantidas, intercaladas com eventos presenciais”, conclui.

Fechar Menu