Amazon luta contra alta abusiva de preços decorrente de coronavírus

5 de março de 2020 · Clipping

Dave Lee, Financial Times – São Francisco | Valor Econômico

A Amazon vem combatendo altas abusivas de preços por parte de fornecedores que tentam se aproveitar do medo criado pela disseminação do coronavírus.

Na segunda-feira, máscaras respiratórias e desinfetantes para as mãos estavam sendo vendidos no site, em alguns casos, com preços mais de 2.000% mais caros do que os normais de varejo, mesmo depois de a Amazon ter avisado que removeria “dezenas de milhares” de produtos e que estava monitorando a situação de perto.

Entre os vários exemplos ainda vigentes enquanto se escrevia esta notícia, um pacote com 20 máscaras fabricadas pela 3M, mas vendidas por um revendedor não autorizado, estava disponível por US$ 387. O preço normal de varejo é de US$ 14,99. Um pacote de 24 frascos de desinfetante para as mãos Purell, de 59 mililitros, normalmente vendido por menos de US$ 10, era oferecido a US$ 400.

“Não há lugar para preços abusivos na Amazon” , destacou a empresa em comunicado.

“Estamos decepcionados pelo fato de maus participantes estarem tentando elevar preços artificialmente em produtos de necessidade básica durante uma crise mundial de saúde e, recentemente, em linha com nossa política de longa data, bloqueamos ou removemos dezenas de milhares de produtos ofertados.”

“Continuamos monitorando ativamente nossa loja e removendo ofertas que violem nossas políticas”, acrescentou.

Mais de 1 milhão de produtos ofertados já foram removidos pela Amazon por terem descrições enganosas relacionadas ao coronavírus, segundo um porta-voz da empresa.

Os produtos em questão foram ofertados por vendedores independentes na plataforma da Amazon, que representam cerca de metade das vendas do site. Esses vendedores oferecem itens diretamente no site da Amazon e em alguns casos até usam a infraestrutura de pósvenda da Amazon para entregar os produtos aos clientes.

Vendedores de boa reputação desses produtos também aparecem na lista da Amazon que mostra os resultados da busca do consumidor, mas a maioria exibe mensagens explicando que o item está esgotado ou “indisponível”.

“Adicionamos turnos e os membros de nossas equipes estão fazendo horas extras”, disse um porta-voz da Gojo Industries, que distribui o Purell, uma das marcas líderes nos Estados Unidos. “A Gojo não determina os preços de varejo para os consumidores, mas acreditamos veementemente que não há lugar para preços abusivos, especialmente durante tempos de alta preocupação com a saúde pública”.

Com o número de casos confirmados em alta nos EUA, em particular no estado natal da Amazon, Washington, o impacto do coronavírus começa a ser sentido em várias áreas do vasto império da Amazon. Na segunda-feira, empresa exibia uma mensagem em seu serviço de entregas rápidas “Prime Now’ alertando os clientes sobre atrasos em algumas regiões, presumivelmente pelo excesso de demanda.

Na semana passada, a empresa instruiu seu pessoal a evitar viagens não essenciais nos EUA e no exterior, para diminuir a possível exposição ao vírus. O programa que convida clientes a fazer uma visita em seus centros de distribuição foi “interrompido” na América do Norte. Dois funcionários da Amazon em Milão, na Itália, contraíram a doença e estão em quarentena, segundo noticiado pelo “The New York Times” na segunda-feira.

Apesar dos problemas, a Amazon não fez alertas sobre impactos nos lucros do atual trimestre, como já fizeram as rivais da tecnologia Microsoft e Apple.

“Não acho que a Amazon venha a sofrer”, disse James Thomson, ex-gerente da empresa e que agora comanda uma firma de consultoria para marcas que vendem na plataforma.

“Há tanta oferta na Amazon, que se todo mundo na primeira página estiver sem estoque, ainda há outras 35 páginas. É como se fosse um time esportivo em que todos os titulares se machucam – ainda há todo o banco de reservas.”

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